terça-feira, 28 de julho de 2015

Lucy, ou a Macaca do Brasil, por Bocage

Nos serros do Brasil diz certo autor que havia
uma namoradeira, uma sagaz bugia.
Milhões de chichisbéus pela taful guinchavam,
E, por não terem asa, o rabo lhe arrastavam.
Qual, caindo-lhe aos pés de amores cego e louco,
Nas cabeludas mãos lhe apresentavam um coco;
Qual do açúcar brilhante a sumarenta cana;
E qual um ananás, e qual uma banana.
Ela, com riso astuto, ela com mil caretas,
Lhe entretinha a paixão, lhe is doirando as petas;
Os olhos requebrava ao som de um suspirinho:
A todos prometia o mais fiel carinho,
E, se algum lhe rogava especial favor,
À terna petição dizia: "Sim, senhor."
Mas com muita esperança, o fruto era nenhum,
E os pobres animais ficavam em jejum.
Leitores, há mulher tão destra e tão velhaca,
Que nisto lhe não ganha inda a melhor macaca.

Poesia escrita por Bocage, que viveu entre 1725 e 1805, e veja, ainda por cima a compôs em verso alexandrino!
A Macaca, está no saboroso livro Bocage, da série Literatura comentada, publicado pela Abril educação.
Adquiri-o no ano passado em um sebo em Mariluz, e só ele já valeu a viagem.
 

terça-feira, 7 de julho de 2015